“Encosto”: obsessão ou superstição?

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por Sidney Fernandes

Onde houver um cadáver, aí se ajuntarão os abutres… Mateus 24:28

— Olá, Jorge, como vai?

— Nada bem, Osvaldo. Tenho sentido muita fraqueza, dificuldade de concentração, desânimo, angústia…

— Foi ao médico?

— Sim. Fiz todos os exames possíveis e nenhuma alteração foi encontrada. Acho que estou com “encosto”.

Osvaldo, estudioso da Doutrina Espírita, sabia bem do que Jorge estava falando. Embora a definição “encosto” não fosse adequada, provavelmente ele estava se referindo a suposta influência de algum espírito.

— Precisa da minha ajuda? — perguntou Osvaldo.

— Sei que você é frequentador de um centro espírita. Poderia levar meu caso para os seus guias?

Osvaldo sorriu e educadamente explicou:

— O ideal, Jorge, seria você passar por uma entrevista fraterna para examinarmos melhor o seu caso.

— Mas, terei que me tornar espírita?

Osvaldo sorriu novamente e explicou:

— De forma alguma. Você me conhece há anos. Tenho cara de quem quer convertê-lo?

***

A orientação foi correta. No centro espírita há muitos recursos que poderiam ser mobilizados em favor de Jorge e do seu hipotético obsessor: passes magnéticos, água fluidificada, sessões de desobsessão e evangelho no lar. Submetendo-se à entrevista fraterna, seu nome seria encaminhado para exame dos espíritos, que fariam o diagnóstico final.

O caso de Jorge era bem simples. Tratava-se realmente de influência exercida por espíritos, que não tinham, entretanto, intenção de prejudicá-lo e se afastaram, assim que esclarecidos.

***

Agradecido pelo tratamento, livre das ideias infelizes e da sensação de opressão, Jorge perguntou a Osvaldo:

— Agradeço sua ajuda, amigo. Antes de retomar minhas atividades, o que poderei fazer para que essa situação não se repita?

— Fico feliz com sua pergunta, Jorge, pois a maioria dos que são atendidos por nossa casa agradecem, mas voltam a cometer os mesmos erros. Resultado: recidiva na certa.

— Que erros deverei evitar? — perguntou Jorge, apreensivo.

— Embora o seu caso não fosse grave, de toda forma foi desconfortável e lhe trouxe algumas apreensões. Tenho que lhe informar que espíritos inferiores se apegam às pessoas com quem têm afinidade e lhes transmitem o reflexo de seus desajustes. Quando não controlamos nossos pensamentos e atitudes, atraímos doentes do mundo espiritual.

— Então a culpa foi minha? Eu atraí meus perseguidores?

— Eu não chamaria de culpa e sim de imprudência. Assim como as feridas atraem moscas, as chagas da alma atraem almas doentes. A conversa vazia, a maledicência, a raiva e a preguiça são atrativos para mortos indolentes.

— Nossa! Jamais pensei que uma simples fofoca pudesse fazer tanto estrago. Eu me sentia péssimo. Acho que aprendi a lição. Mais algum conselho, Osvaldo?

— Faça o bem que puder, Jorge, e apegue-se a Deus. Leve a sério a sua religião, seja ela qual for. Os maiores obsessores estão dentro de nós mesmos. São esses demônios que precisam ser combatidos.

***

Ensina Emmanuel que corpos apodrecidos nos campos atraem corvos que os devoram.

Reclamamos da ação de obsessores e verdugos, visíveis e invisíveis. Quando estão nos perseguindo, achamo-nos incapazes de atender aos desígnios do Cristo. O pensamento deveria ser diametralmente oposto: quando atentamos para as recomendações evangélicas, criamos barreiras protetoras, um verdadeiro guarda-chuva que nos isola das entidades infelizes. Evitemos pensamentos e ações que exalam maus odores espirituais e jamais atrairemos entidades das sombras.

Referências: Pão Nosso, Emmanuel; Quem tem medo da obsessão? Richard Simonetti.

Fonte: Kardec Rio Preto

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